Sobre superar o medo e abraçar a mudança

by - junho 26, 2023



O medo é um instinto que nos ajuda como um mecanismo de sobrevivência, isso é um fato. Mas precisamos concordar que existe aquele “falso medo” que ocupa nossa mente quando precisamos tomar decisões que vão impactar diretamente como estamos vivendo.

Essa sensação acaba dominando as nossas ações e faz com que a gente permaneça em uma zona de conforto, que às vezes nem está tão confortável assim.

Um ponto que precisamos urgentemente entender é que a nossa mente sempre vai querer evitar que passemos por situações de dor e sofrimento, os seres humanos foram projetados assim.

Sejamos honestos, cada um de nós sabe exatamente quais mudanças precisam acontecer para melhorar nossas vidas, mas de alguma forma ir atrás dessas coisas, tomar certas decisões, tudo isso pode parecer a coisa mais difícil do mundo.

Mudança e perda

Fazer uma mudança traz muito desconforto para a vida e evoca o medo da perda. Então os pensamentos intrusivos começam a nos bombardear.

E se eu perder minha sensação de segurança depois de mudar de carreira?

Vou perder amigos ao fazer uma mudança de estilo de vida?

Talvez eu esteja apenas perdendo meu tempo trabalhando nisso?

Algumas vezes, as coisas podem parecer “boas demais” e por mais louco que possa parecer, isso também causa muito espanto. Estamos sempre tentando tornar as coisas ainda melhores, mas vale a pena arriscar perder algo que parece tão confortável e familiar?

Se a possibilidade da mudança desperta em você o medo da perda, talvez seja necessário ressignificar essa palavra na sua vida. Em vez de vê-la como algo intimidador e aterrorizante, pense nesse desafio como algo que pode ser divertido, algo que pode tornar sua vida mais emocionante e gratificante.

Tente dar atenção e foco ao lado positivo da mudança - o lado bom, emocionante e inspirador das coisas.

Quando passamos a maior parte do tempo obcecados com os aspectos difíceis da mudança (como enfrentar o desconhecido, fazer sacrifícios), podemos acabar pensando "bem, vale a pena fazer isso?" e nosso cérebro dirá imediatamente “huumm, não, eu não quero fazer isso, muito obrigado.

Então passamos a ver apenas risco, incerteza e todo o trabalho duro que terá que ser feito para obter resultados.

Do outro lado desse medo, porém, mora a alegria, a sensação de dever cumprido, a percepção de que você está, de fato, no controle da vida.

Depois de entender que é esse instinto de evitar dor ou decepção e essa antecipação da perda de algo familiar que cria esse falso medo, você pode ver o que é realmente “você” e o que é apenas um pensamento vivendo em algum lugar da sua mente.

Dessa forma fica mais fácil filtrar os pensamentos e transformá-los em ações que nos levarão até a concretização dos nossos desejos de mudança.

Falha

Falhar é um medo que abala todo mundo, não é mesmo? Nossa mente interpreta o fracasso como algo muito negativo que devemos tentar evitar a todo custo. Temos tanto medo de falhar em algo, que muitas vezes acabamos nem tentando.

Afinal, o que há de tão assustador no fracasso?

Bem, há a decepção, constrangimento e perda de controle, só para citar algumas coisas. A verdade é que todos nós falharemos em um ponto ou outro. Algumas das melhores lições que aprendemos na vida vem dos nossos fracassos.

É claro que haverão falhas que virão sem nenhuma lição, mas você não pode ter medo de falhar - essa é a parte mais difícil de aceitar.

Quando aceitamos que o fracasso é apenas uma parte de todo o pacote que vem com a vida, retiramos seu poder. Acredite, é possível enfrentar o fracasso com confiança.

Primeiro passo: não leve para o lado pessoal. Não se culpe, não perca tempo analisando demais. Lembre-se de que você deve se separar, como pessoa, dessas pequenas falhas ou erros. Só porque você comete um erro (e sim, todos nós erramos de vez em quando), isso não te define como pessoa.

Etapa dois: reformule a maneira como você pensa o “fracasso”. Sua mente pode tentar convencê-lo de que falhar é o pior que pode acontecer, mas é mesmo? Esses sentimentos de medo geralmente funcionam no piloto automático, e cabe apenas a nós mesmos controlá-los.

Não se concentre no pior que pode acontecer, mas pergunte “qual é a melhor coisa que pode acontecer? Como vou me sentir quando atingir meus objetivos?

Eu falhei muitas vezes em muitas coisas e, embora muitas vezes envolvesse alguma dor e lutas pessoais, uma das melhores formas para escapar da sensação de falha foi perceber “Eu fiz isso. Eu fiz isso, aconteceu e, surpreendentemente, de alguma forma sobrevivi. Superei e sobrevivi para contar a história.

Então, quando a poeira baixar, você para e pensa consigo mesmo “talvez eu não seja tão fraco quanto acredito?

O grande “E se?”

Esse é o problema favorito de uma mente medrosa e um enorme obstáculo para superar o medo. A maioria de nossas preocupações e medos começa com esta mesma pergunta: e se?

E se as coisas não funcionarem como planejado?

E se eu falhar?

E se simplesmente não acontecer comigo?

E se eu decepcionar alguém?

E se eu não atender às expectativas de outra pessoa?

E se for tarde demais para mim?

Sempre que converso com pessoas mais velhas e mais sábias do que eu, pessoas de diferentes esferas da vida, muitas vezes as ouço dizer a mesma coisa: não tenha medo de viver a sua vida. As pessoas sempre parecem se arrepender de coisas que elas não fizeram.

Uma coisa que sempre me chama a atenção, porém, é ouvir o quanto essas pessoas se arrependem de seguir um determinado caminho na vida, apenas porque era “a coisa certa a fazer”. Elas tomaram decisões com base no que era esperado, em vez de seguir seus sonhos, fossem eles grandes ou pequenos.

Perdemos muito tempo nos preocupando com coisas que nunca vão acontecer, focando em coisas que estão fora do nosso controle. O arrependimento é apenas uma parte da vida - mas existem os pequenos arrependimentos e aqueles bem grandes.

Isso é algo que tenho que me lembrar constantemente: não existe uma maneira “certa” de viver ou fazer as coisas. Há apenas a maneira pela qual você deseja viver sua vida.

Sim, ir contra o que se espera de você (de pessoas em sua vida como seus pais, família, amigos) é assustador. Enfrentar esses grandes e pequenos medos é desafiador. Ouvir o seu coração e ir atrás do que você quer na vida assusta pra caramba.

Mas o que é a vida sem um pouco de risco - especialmente quando a recompensa pode ser potencialmente uma mudança drástica e satisfatória de vida?

Permitimos que o medo nos pare, nos controle, o tempo todo. Vemos os desafios como obstáculos e fugimos deles. Parece uma coisa lógica a se fazer, não é?

Podemos, no entanto, ver tudo isso como uma oportunidade. Você não pode desistir de algo só porque é assustador, desafiador ou difícil. Se alguém me perguntar, acordar um dia com o coração cheio de nada além de arrependimento e uma mente cheia de “e se” me parece muito mais assustador.

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